10.11.08

Coxinha, o grande salgado brasileiro

Todo mundo sabe como é rica a culinária brasileira, por causa des suas muitas influências, da quantidade de espécies vegetais e peixes variados, blablablá... Mas quase sempre quando se fala de comida brasileira se pensa em pratos que não são bem "nacionais", mas regionais: baião-de-dois, feijão tropeiro, moqueca, acarajé, tapioca etc. Na verdade os únicos pratos, me parece, se come no Brasil inteiro, são a já manjada feijoada e o churrasco. Mas todos se esquecem da maravilhosa coxinha de frango.

Poucas comidas me apetecem tanto quanto uma coxinha acompanhada de uma garrafinha vidro de 290ml de coca-cola. Enquanto a coca é um produto do maldito imperialismo estadunidense, que roubou as tradições das populações altiplano (coca) e da África (cola) para fazer uma mistura que é símbolo do capitalismo internacional, a coxinha é uma iguaria legitimamente e profundamente brasileira. Duvido que se encontre coxinha em qualquer outro lugar do mundo, a não ser talvez portugal ou Boston.

Diferente da feijoada e do churrasco, que variam bastante em seus ingredientes e acompanhamentos através do território nacional (carne cortada pequena ou em grandes fatias? Paio ou calabreza? Farinha ou farofa? Salada de batata ou vinagrete?) a coxinha é uma verdadeira integradora de nossa nação mestiça. A receita é via de regra sempre a mesma: massa de farinha de trigo temperada com caldo de galinha, esculpida em forma de gota (que aliás, se tornou nacionalmente conhecida como "forma de coxinha"), recheada com frango desfiado, sendo opcional o catupiry®. As pequenas variações estão apenas no tempero da carne (alguns colocam colorau, outros cebolinha e salsa) e, em casos de pão-duragem, no requeijão, às vezes substituído por uma marca inferior e às vezes por um creme qualquer com textura próxima do catupiry®. Sempre frito na medida certa, para atingir o dourado que lembra o sol que banha nosso país tropical.

Então, para celebrar a diversidade e unidade dessa nossa bela nação tropical, peça sempre coxinha, onde quer que você for! Do Amazonas ao Guaíba, do Pantanal à Mata Atlântica, das montanhas de minas ao litoral nordestino! E viva a coxinha!

1 comentários:

barba disse...

Curti demais a ironia ufanista : )