27.9.08
Gerson King Combo, 1977
Tenho achado um dos melhores jeitos de baixar disco. É verdade que tem seu problemas: sempre algumas dezenas de segundos para esperar o download começar, e uns limites pentelhos - um só download por vez e não sei quantos mega por dia em cada site (esse último dá pra burlar fácil se você usar um provedor de IP dinâmico como Velox). Mas realmente vale a pena, ao menos com soulseek esquisito como ele anda e enquanto continuar impossível baixar à vontade em trackers fechados como waffles.fm e what.cd (por causa do ratio, difícil de manter com a nossa baixa velocidade de upload). Para filmes já acho que não compensa, porque os limites acabam prejudicando mais downloads maiores, mas tá óptimo pra discos, que costumam ser arquivos que raramente ultrapassam 150 mega (não, eu ainda não uso FLAC).
Então resolvi mandar por aqui um disquinho que não achei no blogsearch e queria compartilhar com uns amigos que andam me mandando boas dicas de discos de soul, funk, black, essas coisas. Aproveito e testo pra ver se o meu blog aparece direitinho no blogsearch depois!
Apresento esse produto 100% nacional, o primeiro e homônimo disco do Gerson King Combo, o grande soulman de Madureira, ex-artista da Jovem Guarda.
Esse disco é de 1977, o que se nota facilmente pelos timbres de guitarra, total clichê Brasil 70, mas é bastante bem produzido, bem tocado e divertido. Fica um pouco repetitivo no final, já que o Gerson quase nunca canta direito, só fala e "manda a real" pros blacks, num estilo James Brown, que é massa mas fica batido lá pra sétima música.
Aproveitem!
Faixas:
1 - Mandamentos black (Augusto César/Pedrinho/Gerson King Combo)
2 - Just for you (Mário Corrêa/R.Combo)
3 - Andando nos trilhos (R.Combo/Gerson King Combo/Augusto César)
4 - Esse é o nosso black brother (Augusto César/Pedrinho/Gerson King Combo)
5 - Swing do rei (R.Combo)
6 - Hereditariedade (R.Combo)
7 - Foi um sonho só (R.Combo/Augusto César)
8 - Uma chance (R.Combo/Gerson King Combo/Pedrinho)
9 - God save the king (R.Combo)
10 - Blows (R.Combo)
Tá em .mp3, 192k, .rar
24.9.08
A Pampa pobre que herdei de minha mãe
18.9.08
A Culpa do Ocidente
Um amigo meu, pra me provocar, me mandou esse vídeo - "A Culpa do Ocidente", de Rodrigo Constantino. Uma espécie de defesa liberal do ocidente capitalista frente às acusações de que esta civilização seria culpada pelo fracasso e miséria dos países do terceiro mundo - provocados pelo colonialismo, diriam os críticos.
Apesar de eu saber o quão ridículo isso soa escrito na tela do computador, não sou nem um pouco fã do colonialismo e do capitalismo (contra o ocidente não tenho muita coisa contra) - de forma que o video conseguiu me provocar, como meu amigo queria.
Respondi algumas coisas sobre o video a esse meu amigo no MSN, e depois resolvi transformar isso num post. Que não deve ser levado muito a sério, não é nenhum manifesto político e nem muito menos se pretende acadêmico... É mais uma maneira de gastar tempo escrevendo sobre um assunto que me interessa.
Aviso que não tive muita "boa vontade hermeneutica" com o texto de Rodrigo Constantino. Dava, sim, pra fazer uma leitura menos crítica, mas acho que ele não merece, uma vez que acredito que a mensagem que o texto carrega nas entrelinhas é muito, muito perigosa. Ou, colocando sem paranóia, muito, muito tosca...
Pra começar, esse Constantino faz uns ataques meio sem propósito,quando diz por exemplo que "é um absurdo falar que a riqueza da suíça foi tirada dos pigmeus e dos aborígenes australianos". Não sei quem sustenta tal absurdo. Ninguém nunca falou isso, até onde eu sei. A idéia deve vir do fato de que Constantino, bizarramente, confunde pobres e índios, ou, em outros termos, as massas "proletarizadas" e os povos nativos e/ou selvagens da América, África, Oceania etc. Aborígenes, pigmeus e povos do deserto, como ele diz, foram vítimas do colonialismo, sim, mas por outros motivos. A maioria teve sua terra roubada, suas mulheres estupradas, sofreram com doenças alienígenas, e muitos foram simplesmente exterminados. Aqueles que sobreviveram para se tornar escravos ou trabalhadores mal pagos é que geraram a riqueza dos países colonizadores, através da exploração de seu trabalho, cujo fruto não ficava nas suas mãos, mas era vendido no mercado externo com o lucro indo direto pra Europa (ou pras elites locais, que quase sempre eram européias).
[Deixa eu só sublinhar: índio não é pobre, ainda que alguns possam ser ou se tornar - principalmente quando deixam de ser índios. Eles são outra coisa. A noção deles de riqueza, de mercadoria, tudo mais é outra. Se é que existe.]
Mas voltando, isso leva a mais um ponto: o autor todo o tempo, e principalmente quando usa o exemplo da borracha da Malásia, afirma que a riqueza que foi transferida entre os continentes na situação colonial era principalmete vinda de recursos naturais... Bem, em muitos casos os recursos naturais foram mesmo fonte de riqueza: ouro, mineiro de ferro, salitre, diamantes, madeira, petróleo - e isso, até onde eu sei, não foi trazido pelos ingleses. Claro, se empresas gringas chegam e te ajudam a explorar esses recursos, deixando parte dos ganhos no país, nem tem muito problema não, aliás é isso que se tenta fazer hoje em dia (ainda que eu prefira a Petrobras explorando o pré-sal do que a Texaco, você não?). Só que o que foi feito não foi bem isto. Os colonizadores chegaram e simplesmente tomaram o que quiseram, usando uma mão-de-obra barata ou escrava e levando os lucros. No processo, detonaram a natureza, aniquilaram algumas populações locais, e, ao longo da descolonização (especialmente a que ocorreu depois da segunda-guerra) deram o fora e largaram o problema como se não fosse deles.
Há mais uma confusão: entre comércio com os EUA e com a Europa e colonialismo. Alguém realmente acha que empresas de Hong Kong hoje exportarem eletrônicos é um processo similar ao uso de plantations comandadas pelas metrópoles nas Índias Ocidentais (Caribe) no meio do séc. XIX?
Claro que nesse texto também estou simplificando demais tudo. Mas tento não fazê-lo tanto quanto Rodrigo Constantino. Ele chega ao cúmulo de colocar EUA e Austrália como "colônias de sucesso", como exemplos de que o colonialismo pode dar certo, como se o processo de colonização dos Estados Unidos, para onde os puritanos foram morar fosse o mesmo da Zimbabwe, onde os administradores só botavam o pé pra fazer dinheiro e controlar as populações rebeldes. O cara a todo tempo mistura sob o nome "colonialismo" coisas dísres como o comércio externo, colônia de habitação, colônia de exploração, área de influencia soviética... E por aí vai.
Constantino ainda simplifica dizendo que a Suiça e a escandinávia são ricas, mesmo não tendo colônia ao passo que a Espanha e Portugal passaram mais dificuldades mesmo com impérios imensos. Bem, isso no mínimo é fingir que as economias europeias são interligadas, mesmo antes da "globalização".
Nem vou entrar no ataque gasto e meio bobo que ele faz ao marxismo. Mesmo porque não sou marxista (apesar de ter lido e gostado de algumas coisas do Marx). Mas acho engraçado ficar repetindo o exemplo do Pol Pot e nunca falar nada do Pinochet.
E também não vou entrar, porque isso é complexo e o texto já tá grande, no problema de assumir, como ele faz, que todo mundo no mundo quer "progresso", à moda capitalista.
Só quero finalizar dizendo que acho claro que existiram colônias "piores" e "melhores". Que a descolonização pode ter sido terrível em alguns casos. Que há ex-colônias prósperas hoje em dia. Que 99% dos estados-nações hoje existentes precisam fazer comércio com os países ricos para sair da merda.
Mas culpar a "atitude" dos povos como culpa de sua miséria, relevando as atrocidades que foram cometidas pelas metróploes em nome do lucro e da dominação, pra mim soa como dizer que "só é pobre quem quer". Talvez Constantino prefira "quem quer ser comunista", "quem quer ter ecomia planificada", "quem crê em ideologias que pregam o igualitarismo"... Ainda que nem de longe todos os países miseráveis do mundo tenham tido forte influência do marxismo.
Defenda você ou não o igualitarismo, não há como "com o estuda história" achar que o colonialismo foi um processo justo e próspero para os colonizados. Ou que não tenha deixado marcas nas economias (pra falar o mínimo) dos povos explorados. Aliás, ouvi falar que na Índia eles gostam de hierarquia, mas não gostaram de ter sido governados pelos ingleses.
11.9.08
Eleições Municipais em uma frase
Rio de Janeiro: esquerda faccionada abre espaço para tecnocracia e teocracia.
Belo Horizonte: na prática, candidato único.
Porto Alegre: duas comunistas contra um dinossauro.
São Paulo: rachadura tucana contra a candidata do presidente.
